A Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Grafias da Cena Brasil, anuncia o Chamamento Público PQBrasil 2027 (acesse aqui), que irá selecionar equipes curatoriais formadas por profissionais atuantes no campo das artes cênicas e performativas para a mostras do Brasil na 16ª Quadrienal de Praga, na República Tcheca.
É objeto deste Chamamento a seleção das equipes curatoriais que serão responsáveis pelas exposições brasileiras da Mostra dos
Estudantes (Student Exhibition) e da Mostra dos Países e Regiões (Exhibition of Countries and Regions) na 16a Quadrienal de Praga - a PQ 2027, a realizar-se no Palácio das Indústrias (Vystaviste - Exhibition Grounds), em Praga, República Tcheca, de 08 a 17 de Junho de 2027.
Com inscrições abertas PRORROGADAS até o dia 23 de fevereiro de 2026, esta iniciativa inédita representa um passo importante para a democratização da participação brasileira neste que é o maior evento dedicado ao campo expandido do desenho da cena e da performance no mundo.
O Chamamento é voltado a equipes curatoriais que atuem no campo das artes cênicas e performativas, contemplando duas linhas: Mostra dos Estudantes (ME) e Mostra dos Países e Regiões (MPR). As propostas devem dialogar com o tema da PQ 2027 e atender a todos os critérios, etapas e exigências descritos no Chamamento Público, onde constam informações detalhadas sobre objetivos, documentação, cronograma e processo de seleção.
As submissões devem ser enviadas exclusivamente por e-mail para: grafias.pqbrasil@gmail.com
Somente após o anúncio das duas equipes curatoriais selecionadas, em 23 de março de 2026, é que serão definidos com serão os processos de chamadas abertas e formatos de seleção dos trabalhos que farão parte das exposições.
Acesse os documentos:
CHAMAMENTO PÚBLICO PQBRASIL 2027
Prorrogação do prazo de inscrição
ANEXO I - FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO
ANEXO II - MODELO DE ORÇAMENTO
TIRA-DÚVIDAS CHAMAMENTO PÚBLICO
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(com participação especial da diretora artística da Quadrienal de Praga 2027)
IDENTIDADE VISUAL
A marca do Brasil na PQ 2019
Criada por Patrícia Cividanes, logo sintetiza um manifesto contra o desmonte da arte brasileira
Faltando pouco menos de um ano para a 14ª Quadrienal de Praga, o Brasil apresenta a logomarca que estará nos materiais de divulgação, no Brasil e no Exterior, das Mostras Nacional, Estudantes e Fragmentos - que vão representar o país no maior evento internacional dedicado ao espaço e ao desenho da cena.
De autoria da designer gráfica e fotógrafa Patrícia Cividanes a logo é crua. Atinge sem rodeios os olhos de quem a vê, deixando a sensação de algo “inacabado”, como um trabalho em andamento que convida o observador a participar de sua construção coletiva.
Longe de ser uma crítica, essa observação, além de não ser gratuita, revela a profundidade com que Patrícia criou a marca, a partir das provocações feitas pela equipe de curadores do Brasil.
Liderado por Aby Cohen, o grupo se valeu dos três eixos criativos da PQ 2019 - Memória, Imaginação e Transformação - para pautar uma "poética da construção”, um manifesto contra o desmonte que arte brasileira vem sofrendo nos últimos anos.
A principal provocação da identidade visual, explica Aby, é pensar no que seria o construtivismo no momento atual - uma referência ao artista construtivista que acreditava ter o poder de colocar toda a sociedade como uma questão política, apontando criticamente para suas necessidades.
“Com esta marca, fazemos a crítica e apontamos para possíveis construções em repudio à estagnação. É a arte não como um espelho para refletir o mundo, mas como ferramenta para forjar a si mesma”, diz Aby Cohen.
Assim, a identidade visual do Brasil na PQ 2019 propõe um diálogo entre a cultura popular e o construtivismo, em uma paleta crua: preto, cinza, rosa e amarelo. Sem nuances, sem matizes.
O preto é brutalidade da matéria. O cinza, a aridez do concreto, da chapa de zinco batida. O rosa, o madeirite das construções populares (material base da exposição do Brasil na edição de 2011, que rendeu ao país sua segunda Triga de Ouro, maior prêmio da Quadrienal de Praga).
E o amarelo, talvez a mais simbólica de todas as cores da paleta, remete às riquezas roubadas do Brasil, sobretudo as artísticas. Aquelas que nunca foram resgatadas, mas que escorrem sobre o concreto, a chapa de zinco, o madeirite e a matéria bruta, como se gritassem: a arte resiste.
Rodrigo Hilário é jornalista, pesquisador e integrante da equipe PQ Brasil